Mini-Hídrica no Mondego é a morte da Animação Turística

Perante as notícias da construção de uma barragem no rio Mondego, empresas de animação turística da região juntaram-se para emitir o seguinte comunicado:


A MINI-HÍDRICA NO MONDEGO É A MORTE DA ANIMAÇÃO TURÍSTICA

Fomos confrontados com a notícia de abertura de um Concurso para a construção e gestão de uma mini-hídrica num troço do rio Mondego entre Penacova e Vila Nova de Poiares, mais concretamente, entre açude da Carvoeira e a Foz do Caneiro.

Esse é precisamente o troço de canoagem mais turístico do nosso país. São 6 empresas em permanência a laborar neste sector, com as suas licenças ao Turismo de Portugal e licenças de utilização do domínio hídrico em dia, mais de 30.000 turistas por ano, um volume de negócios directo de cerca meio milhão de euros, cerca de uma dezena de postos de trabalho, acrescido de toda a actividade turística a montante, autocarros, restaurantes e hotéis, que indirectamente deve representar vários milhões de euros de volume de
negócios por ano.

A construção desta mini-hídrica vem destruir aquela que é para todas as empresas da região a actividade principal e nalguns casos a única actividade das empresas. Com a construção da mini-hídrica, sejamos claros, acabam as descidas comerciais do rio Mondego. Acaba a maior actividade de animação turística do nosso país e uma das maiores da península ibérica.

Não conseguimos compreender que se sacrifique todo um sector económico, que se castigue a pesca no rio, a actividade gastronómica da lampreia e se atire ao rio 3,5 milhões de euros da escada de peixes do Açude de Coimbra (pois agora os peixes encontrarão um novo obstáculo), tudo isto para quê? Para produzir 9MW? Para reduzir o défice do Estado com as contrapartidas financeiras que o promotor terá de pagar?

No passado fomos confrontados com a construção de açudes ao longo deste sector, infra-estruturas essas sem qualquer valor prático, como o açude da Carvoeira, o açude da Ronqueira e o açude do Louredo. Só servem para prejudicar a qualidade da água, para colocar obstáculos à circulação de canoas e dos peixes no seu ciclo normal de reprodução e para, nalguns casos, provocar acidentes aos participantes da canoagem no rio Mondego. É de salientar que, segundo as entidades que construíram os referidos açudes,
todos eles foram desenhados contemplando a passagem das canoas mas, na realidade, as passagens foram mal concebidas por pessoas que nada percebem de canoagem e que nem sequer se deram ao trabalho de pedir a opinião às empresas de turismo activo quanto à sua concepção.

Na prática, os milhares de turistas que descem anualmente o Mondego vêem-se forçados a sair das canoas tendo que as transportar à mão.

Esta não pode ser a forma de resolver os problemas. As empresas têm de ser ouvidas.

Exigimos o imediato cancelamento do contrato público e a resolução urgente dos problemas que os referidos 3 açudes provocam na actividade económica. Se pagamos impostos também devemos ter contrapartidas.

Estamos disponíveis para ir até ás últimas consequências. Não ficaremos parados perante a destruição do último sector navegável do rio Mondego.

Penacova, 30 de Novembro de 2010

Paulo Miguel Silva, representando as empresas de animação turística,
Caminhos d'água, Capitão Dureza, Geoaventura, O Pioneiro do Mondego, Sport Margens e
Trans Serrano

Partilhar: Add to your facebook | Add to your del.icio.us | Digg this story | Googlise
  • email Email para Amigo
  • print Versão de Impressão
  • Plain text Versão Texto
Certificação
                                                                    DGERT
                 EFAPCO        EC-OE
Newsletter
   E-mail: